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Heróis da tecnologia salvam da extinção antigos mundos de games

Jason Johnson Freelance writer and editor

Quando servidores de games são desligados, comunidades de games multijogadores massivos online podem desmoronar. Agora, contudo, os fãs podem assumir o comando da situação usando tecnologias como a computação em nuvem.

A carreira de Jedi do YouTuber A. Kaiser estava com os dias contados. Ele havia jogado o game multijogador massivo online (MMO) Star Wars Galaxies durante oito anos. Agora que o game estava sendo encerrado, a melhor maneira que ele encontrou de passar seu último dia no mundo foi estar entre os amigos.

Uma multidão de jogadores reuniu-se em Tatooine, não mais lutando ou exibindo capas de Jedi, mas aguardando a Sony desligar o servidor, sua casa digital nos últimos anos. O estado de espírito era em geral otimista. Mas em algum lugar um Wookie gritava. Depois, repentinamente e sem aviso prévio, a conexão caiu e o Star Wars Galaxies estava oficialmente morto.

Mas, extraoficialmente, a batalha por Star Wars Galaxies estava apenas começando.

Uma das realidades mais duras do atual mundo dos games é que estes podem morrer e serem perdidos para sempre. Os MMOs e outros games jogados via Internet estão particularmente vulneráveis a esses fenômenos porque os editores tendem a desligar o botão como medida de economia quando a popularidade dos games cai. Entretanto, jogadores dedicados estão tomando para si a tarefa de fazer seus games preferidos reviverem seus dias de glória.

“O esforço é incomensurável”, disse Doug Rush, o desenvolvedor-chefe do projeto SWGEmu, uma cópia quase perfeita do Star Wars Galaxies original — com a única diferença de ser criada e controlada pelos fãs.

“Nosso projeto é inteiramente desenvolvido por voluntários. Nossas despesas são pagas com doações. É necessário amor pelo game para mantê-lo em funcionamento.”

A árdua tarefa de ressuscitar um game multijogador expansivo mantém viva a importante história dos games. E enquanto as mortes de servidores certamente continuarão, as ferramentas disponíveis para ajudar os fãs a preservar esses games também serão cada vez melhores.

Rush costumava jogar Star Wars Galaxies com seus filhos e, quando o mundo do game terminou, ele achou impossível substituir aquele importante momento de interação por outra coisa qualquer.

Foi por isso que ele prometeu trazê-lo de volta. Oito anos mais tarde, sua versão ressuscitada do game explodiu em popularidade, alcançando a média de 1.500 jogadores por dia.

Esta não é a primeira vez que as pessoas dedicam um imenso volume de energia para impedir que um ambiente online caia no esquecimento.

“Isso comprova o impacto profundo dos games — como eles podem afetar as vidas das pessoas”, disse Josh Bancroft, Gerente de Comunidades da Intel.

“Você pode dizer que os games são apenas entretenimento ou diversão. Mas para muitos jogadores, especialmente de games online, eles significam ser membro de uma tribo.”

Captura de tela do velho game "Ultima".

As equipes que estão por trás de UO Second Age, por exemplo, estão se dedicando a recriar o Ultima Online da maneira como era jogado em 1998. A primeira versão do game era caracterizada por regras brutais, nas quais as casas dos jogadores podiam ser saqueadas ou eles podiam ser enganados por bandidos. Mas quando uma expansão mudou grande parte dessa característica, o projeto UO Second Age cuidou de garantir que a crueldade da versão original fosse preservada.

Esta tendência de salvar os mundos digitais também acontece fora dos games. O site de arte digital sem fins lucrativos Rhizome criou o projeto de arquivos no GeoCities e fez um esforço heroico para salvar um terabyte de cultura antiga da web, como a página de fãs do Backstreet Boys e os famosos webrings de arte em ASCII, realocando-os no Tumblr.

Dragan Espenschied do Rhizome disse que está impressionada com a criatividade desses artistas do GeoCities.

“Eles não tinham câmeras digitais nem scanners”, explicou. “Eles tinham Notepad [o editor de texto mais simples] e conseguiram fazer algo importante. Para mim, esta é a riqueza de preservar o Geocities.”

Para os fãs do Star Wars Galaxies, nenhum esforço era demasiado.

“É preciso um volume surpreendente de trabalho de engenharia em meio período para restaurar um game”, disse Eric Kaltman no artigo que escreveu para a Biblioteca do Congresso ‘Preserving Virtual Worlds Final Report’ (Relatório final sobre a preservação dos mundos virtuais). “Eles fizeram engenharia reversa do código e criaram uma versão falsificada do servidor para fazer o game funcionar.”

Em sua maior parte, o processo requer altíssimo nível de atenção aos detalhes e à pesquisa. Os restauradores do MMO passam inúmeras horas no YouTube examinando os valores exatos da pontuação e das habilidades. É o equivalente digital de examinar as fotografias da casa onde você passou sua infância e reconstruí-la, tijolo a tijolo.

Para facilitar a preservação, Alex Handy, diretor do museu de videogames MADE, defende que os editores de games devem liberar seus códigos-fonte de games online antigos. Dessa forma, os fãs podem rapidamente configurar e colocar em funcionamento seus próprios servidores, preservando os games online contra a extinção virtual no futuro.

Entretanto, Bancroft disse que a tecnologia para tornar a preservação possível está melhor do que nunca, graças à computação em nuvem.

“Uma forma excelente de preparar esses servidores antigos para as preservações é transformá-los de hardware físico em servidores virtuais que rodem em uma infraestrutura de nuvem elástica”, disse ele.

Os serviços de computação em nuvem elástica como o Amazon EC2, por exemplo, permitem que as pessoas aluguem e depois adicionem mais desempenho de computação e mais armazenamento para atender às crescentes necessidades.

Handy está descobrindo que quanto mais antigo for o game, mais difícil é a tarefa. Ele está chefiando um projeto de recuperação do Habitat, o primeiro MMO de todos os tempos. O Habitat foi lançado em 1986 e era jogado com um serviço discado no Commodore 64. Disseram a Handy que seria impossível recuperá-lo.

Primeiro, ele teve que encontrar um servidor Nimbus da Stratus Technologies — um equipamento grande e desajeitado da década de 1980 que não existia mais. Handy entrou em contato com um antigo funcionário da Stratus, Paul Green, e lhe pediu que construísse um equipamento novo para ele.

Handy está agora aguardando para receber bibliotecas de código para que o game recuperado possa comunicar-se com o servidor. Sem isso, entender o que a plataforma está tentando dizer ao servidor é como traduzir uma língua morta. Mas Handy não é do tipo que desiste.

“Quando o servidor estiver funcionando”, disse ele, “colocaremos o game novamente online.”

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