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A evolução dos efeitos especiais de Star Wars

Além de ter milhões de fãs, saga foi responsável por revolucionar a indústria dos efeitos especiais em Hollywood; 40 anos depois, “Star Wars” continua inovando.

Quarenta anos. Essa é a diferença entre “Star Wars – Uma Nova Esperança”, o primeiro da saga, lançado em 1977, para o Episódio VIII, que deve chegar aos cinemas em dezembro de 2017. Em quatro décadas, o mundo viu guerras, trocas no poder, diversos acontecimentos históricos e uma tremenda evolução tecnológica. Essa evolução se refletiu na computação e, consequentemente, nos efeitos especiais. Quando George Lucas lançou o primeiro longa, os FX — como são chamados os efeitos — disponíveis eram bem, mas bem mais modestos.

Não existem efeitos? Vamos criar uma empresa

Sabendo que seria difícil fazer um filme com guerras no espaço com efeitos mal acabados, Lucas resolveu criar a sua própria empresa de efeitos especiais. Assim nasceu a Industrial Light & Magic, a ILM, que tornou-se uma divisão da produtora da Lucasfilm. “Nos dias do primeiro Star Wars, nós meio que entramos em um galpão vazio e sentamos no chão e nos perguntamos: como vamos fazer isso?”, diz John Dykstra, escolhido por George Lucas para estar à frente da ILM.

Fonte: Terry Chostner, Industrial Light & Magic
Fonte: Terry Chostner, Industrial Light & Magic

Foi então que Dykstra, Lucas e a equipe da ILM usaram miniaturas, animações e softwares pioneiros para criar os efeitos especiais. Outro marco na produção foram o uso de “animatronics” para fazer personagens como Yoda e Jabba. A mistura de efeitos deu certo: cenas como a explosão da Estrela da Morte, no Episódio VI, são consideradas revolucionárias até hoje. Não por acaso, a Industrial Light & Magic acumulou mais de 300 trabalhos em filmes, sendo grande parte deles blockbusters elogiados pelos efeitos especiais como “Avatar”, “Jurassic Park” e “E.T – O Extraterrestre”.

O legado da ILM vai muito além. Para o New Economy, a empresa pode ter ajudado e inspirado a criar novas companhias. A Pixar, por exemplo, nasceu do braço de computação gráfica da empresa. John Knoll, um dos criadores do Photoshop, inspirou-se em um software de edição de imagens que ele viu na ILM. Sim, George Lucas pode ter sido responsável pela criação da Pixar e do Photoshop, mesmo que indiretamente.

Muitos efeitos também podem ser um problema

Se a primeira trilogia foi revolucionária pela mistura de animatronics, miniaturas e efeitos em pós-produção, os filmes da década de 1990 e 2000 trouxeram mudanças mais drásticas ainda. A ILM foi responsável por criar cidades inteiras digitalmente.

Aliás, foram tantos efeitos que esse excesso é uma das principais críticas ao filme. O Bustle lembra que no “Episódio II: O Ataque dos Clones”, nenhuma roupa dos Clones foi produzida para o filme — todos os soldados do filme foram feitos pelo computador. No “Episódio I – A Ameaça Fantasma”, apenas 12 minutos de um total de 133 não contém um efeito especial gerado por computador. Até Jar Jar Binks, um dos personagens mais odiados da saga, é considerado revolucionário: ele foi o primeiro personagem feito por computação gráfica para o papel principal em um longa.

Como afirma a New Economy, nas duas trilogias, George Lucas foi capaz de trazer revoluções. Na primeira, ele criou ferramentas para fazer o seu universo e na segunda ele criou naves, personagens e cidades inteiras feitos digitalmente. Essa revolução abriu portas para outros filmes, criando possibilidades para produtores e roteiristas serem mais imaginativos na hora de pensar em seus filmes e séries.

Assim que a Disney anunciou os novos longas de Star Wars, o legado dos efeitos de George Lucas veio à tona, junto com a pergunta: “poderia a nova trilogia revolucionar mais uma vez?”, questionou a Wired. Após mais de um ano do lançamento do Episódio VII e com fãs contando os meses para o VIII, já é possível dizer que J.J. Abrams, responsável pelo VII, revolucionou também a indústria.

Se na trilogia dos anos 2000 os efeitos especiais dominaram a tela e irritaram alguns fãs, a nova saga quer ir contra a maré atual. Com algumas produtoras além da ILM capazes de fazer cidades digitais inteiras, pensou-se que os novos longas poderiam, mais uma vez, estarem recheados de VFX, sigla para visual effects, efeitos visuais em inglês. Não foi o que aconteceu.

Antes da estreia do filme “O Despertar da Força”, em 2015, o diretor J. J. Abrams disse que queria usar pouca computação gráfica. A ideia, segundo o diretor, era usar mais efeitos práticos e, quando necessários, usar o computador. Apesar do longa ainda contar com muitos efeitos, é muito menos do que em “Ameaça Fantasma”, filme de 1999: há apenas dois personagens feitos de VFX, contra 60 de Ameaça Fantasma. Além disso, “O Despertar da Força” traz, segundo o MakingStarWars.net, cerca de 28 takes totalmente digitais, sendo que há 357 cenas no filme — cada cena pode ter vários takes.

A simpática participação do robô BB-8 levantou perguntas assim que o trailer foi divulgado: seria um personagem feito por computação? Pouco depois, veio a resposta: ao contrário do que se pensava, o BB-8 é um robô de verdade, o que seria impossível na trilogia original. Como afirma a Bustle, “apesar da tecnologia ter evoluído muito desde os anos 70, ‘O Despertar da Força’ consegue captar o espírito de inovação da trilogia original de Star Wars”. É esperar dezembro para ver o próximo episódio.

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