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A história dos games de Star Wars

Inovadora em muitos sentidos, a franquia Star Wars também marcou o mundo dos games desde seu lançamento.

Devemos muito do que entendemos como cultura pop hoje à Star Wars: a série foi uma das primeiras a expandir sua narrativa para além do que era mostrado nas telas, com tramas que se desenrolaram em quadrinhos, livros, animações e games. São mais de 100 jogos lançados em 40 anos desde a estreia de “Uma Nova Esperança”, em 1977. Jedis, siths, rebeldes e soldados imperiais estão presentes em títulos para consoles, PC, arcade, portáteis e smartphones, além de jogos analógicos e milhares de produtos licenciados.

A trajetória dos jogos de Star Wars acompanha acontecimentos significativos da história dos games, como a dominância da Atari no início dos anos 80 e sua posterior queda com o Crash de 1983, a importância dos arcades nos primeiros anos da indústria, a ascensão dos jogos para PC durante a década de 1990 e o crescimento do mercado mobile nos últimos anos.

Das telas aos consoles e arcades

Oficialmente, a história dos games de Star Wars começa com o jogo “Star Wars: The Empire Strikes Back”, lançado para o console Atari 2600 em 1982, dois anos após a estreia do filme com o mesmo título. O objetivo do jogo era defender uma base rebelde dos ataques dos AT-ATs, reproduzindo a clássica cena da Batalha de Hoth.

Game Star Wars: The Empire Strikes Back, de 1982.
Game Star Wars: The Empire Strikes Back, de 1982.

O jogo tinha uma boa jogabilidade e contava com a icônica trilha de John Williams, mas infelizmente não foi um sucesso de vendas. A razão foi ele ter sido lançado pouco antes do “Crash de 1983”, uma grande crise na indústria dos videogames que impactou profundamente o mercado estadunidense e acabou com a hegemonia da Atari nos consoles domésticos. O Crash foi motivado, entre vários fatores, pela abundância de jogos de baixa qualidade no mercado, pirataria e cópias desenfreadas, além da falta de licenciamento apropriado de produtos, com a subsequente queda nas vendas e na confiança dos consumidores.

Mesmo assim, outros títulos da franquia foram lançados para o Atari 2600, como “Star Wars: Return of the Jedi: Death Star Battle” e “Star Wars: Return of the Jedi: Jedi Arena” em 1983 e “Star Wars: The Arcade Game”, que foi criado para arcade e posteriormente adaptado ao console, prática comum na época. Em 1988, o jogo ganhou uma versão para computadores.

Os arcades foram muito importantes para os games de Star Wars, principalmente durante os primeiros anos da década de 80, período em que estavam no auge após o grande sucesso de “Pac-Man”, de 1980. “Star Wars: The Arcade Game” oferecia uma experiência inovadora na época, com gráficos vetorizados e vozes digitalizadas dos atores da saga. Ele foi seguido de dois títulos exclusivos para arcades: “Star Wars: Return of the Jedi” em 1984, e “Star Wars: The Empire Strikes Back” em 1985. Com o Crash de 83, a indústria de games passou o período imediatamente posterior focando seus investimentos nos arcades, que pareciam menos afetados pela queda de consumo e descrédito geral que atingia os consoles domésticos, e a franquia Star Wars acompanhou essa tendência.

Star Wars para arcade
Star Wars para arcade

O Crash acabou colaborando com o fortalecimento da Nintendo, que já dominava o mercado no Japão e chegou nos EUA em 1985 com o NES, versão adaptada para o mercado estadunidense de seu console líder no Japão, o Famicom. Com isso, a licença para a produção de games inspirados na série passou das mãos da Atari para a Namco, que em 1987 lançou Star Wars para Famicom, game de plataforma com rolagem lateral inspirado nos dois primeiros filmes da trilogia.

O jogo não era fiel à narrativa lançada nos cinemas, mas agradou aos gamers pelo estilo plataforma e pelo alto grau de dificuldade. Em 1991, o jogo foi adaptado para o NES e ficou um pouco mais fiel aos filmes, com Luke usando um sabre de luz em vez de uma blaster, e, no ano seguinte, ganhou uma versão para o Super Nintendo, que incluiu novas fases referentes ao “Episódio VI: O Retorno de Jedi” e foi batizado como “Star Wars Trilogy”.

Game Star Wars Trilogy, para SNES.
Game Star Wars Trilogy, para SNES.

Jogos para PC e a ascensão da LucasArts

Nos anos 90, a LucasArts estava se tornando um dos principais nomes no mercado de games para PC. Fundada pelo próprio George Lucas em 1982 com o nome de Lucasfilm Games, ela foi concebida como uma divisão da empresa cinematográfica do diretor, Lucasfilm. Inicialmente a Lucasfilm Games cuidava do licenciamento dos jogos de Star Wars concedendo à outras publishers, como a Atari e a Namco, os direitos para o desenvolvimento dos títulos.

Mas em 1990, a empresa passou por um reposicionamento e mudou seu nome para LucasArts, se tornando uma das maiores referências de games adventure, com títulos como o consagrado “The Secret of Monkey Island” de 1990, e “Day of the Tentacle”, de 1993, entre muitos outros sucessos na época. A empresa recuperou o licenciamento total da franquia mais famosa de Lucas e em 1993 lançou “Star Wars: X-Wing”, desenvolvido a partir do jogo de simulação de combate na Segunda Guerra Mundial “Battlehawks 1942”, da própria LucasFilm Games.

“X-Wing” é um simulador de combate que permite ao jogador pilotar as naves clássicas de Star Wars como X-Wings, Y-Wings e A-Wings. O sucesso foi tão avassalador que ofuscou até mesmo a própria LucasArts em seu lançamento posterior, “Rebel Assault”, nove meses depois.  “X-Wing” iniciou uma série bem sucedida de jogos de combate aéreo no universo Star Wars, seguida por “TIE Fighter” em 1994, e “X-Wing vs. TIE Fighter” em 1997.

Além dos simuladores de naves, durante a década de 1990, a LucasArts tentou alguns títulos focados em narrativas inspiradas nos filmes, como “Rebel Assault” e “Rebel Assault II”. Os jogos adotaram o CD-ROM que estava se consolidando como um formato interessante para games com mais exigências gráficas, e as inserções de vídeos com atores, muito populares nos jogos da época. Outra aposta da LucasArts na época foi “Dark Forces”, de 1995, um shooter inspirado no sucesso de 1993 e um dos games mais importantes da década, “Doom”. A continuação de “Dark Forces II” foi lançada em 1997 e foi um dos primeiros jogos a permitir que o jogador optasse entre a visão de primeira e terceira pessoa.

A partir dos anos 1990 os games de Star Wars passaram a explorar também o universo expandido, em games como “Star Wars: Shadows of the Empire”, lançado em 1996 para Nintendo 64 e computadores. O jogo se passa entre os episódios V e VI, e traz um protagonista que não está nos filmes, Dash Rendar. O título foi um sucesso de vendas, e encorajou a LucasArts a usar mais elementos do universo Star Wars que não aparecem nos filmes da śerie.

Diversificação e multiplataformas

Nos anos 2000, a LucasArts resolveu apostar em gêneros ainda não explorados pela franquia, como a estratégia em tempo real de “Force Commander” e “Galactic Battlegrounds Clone Campaigns” em 2001 e 2002 respectivamente, desenvolvidos pelo Ensemble Studios, responsáveis pela série “Age of Empires”; o MMO “Star Wars Galaxies”, desenvolvido pela Sony Online Entertainment e lançado em 2003; e a série de RPG “Knights of the Old Republic” também em 2003, desenvolvida pela BioWare e considerada entre os melhores jogos de Star Wars e do gênero já produzidos.

Também ajudou a revitalizar os games da marca a divertida série “Lego Star Wars”, que teve seu primeiro título lançado em 2005. Os jogos passam por todos os filmes da franquia e abusam do humor para reconstruir a trama consagrada nas telas em um plataforma leve, cheio de bons puzzles, homenagens e easter eggs especiais para os fãs da saga.

Lego Star Wars
Lego Star Wars

A década também marcou a descentralização da produção de games de “Star Wars” pela LucasArts, com seus títulos de maior sucesso criados por outros estúdios. Quando a franquia foi adquirida pela Disney, em 2012, foi decidido que os jogos seriam desenvolvidos pela Disney Interactive Studios ou licenciados a terceiros. Em 2013, a maior parte da equipe da LucasArts foi demitida e o estúdio permaneceu aberto apenas para cuidar do licenciamento da marca.

Atualmente, a Electronic Arts possui os direitos para desenvolvimento de jogos de Star Wars, e o repasse a terceiros e ao Disney Interactive Studios está autorizado para games casuais e mobile, segmento em que a marca tem investido bastante com títulos como “Galaxy of Heroes,  Star Wars Rebels: Missions”, “Angry Birds Star Wars” e “Star Wars: Galactic Defense”, entre muitos outros. Os estilos variam da jogabilidade simples e ágil do casual e do tower defense à complexidade do RPG e da estratégia em tempo real. Nos games para PC e consoles, o último grande lançamento da franquia foi o elogiado “Star Wars Battlefront”, um reboot do game homônimo de 2004 com mais qualidade gráfica e fidelidade à primeira trilogia de filmes.

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