Saúde

A tecnologia da recuperação esportiva

Amy Roberts Writer and Fitness Professional

Desde banhos de banheira de gelo intenso até massagem de alto desempenho, as tecnologias de recuperação pós-treino estão deixando de ser exclusividade das instalações das equipes esportivas profissionais e se tornando disponíveis para o público em geral.

Nos últimos anos, o número de guerreiros de fim de semana — atletas amadores e de recreação, que treinam para os eventos de suas empresas — vem aumentando muito. O crescimento das atividades de condicionamento físico dá origem a muitas tecnologias novas, como vestíveis que acompanham e orientam as rotinas de treino e inovações que aceleram a recuperação.

Desde 2010, mais de meio milhão de pessoas completam  maratonas nos EUA todos os anos, e um número quase igual participou de triatlons pelo país. Nos últimos 15 anos, o CrossFit alcançou a marca de 13.000 academias afiliadas em todo o mundo, com até 4 milhões de pessoas participando dos seus WODs (Treino do Dia, na sigla em inglês). Até mesmo a caminhada de recreação está em alta, com uma quantidade recorde de pessoas que curtem o ar livre aventurando-se na Trilha do Apalache em 2015.

Quando treinam com mais intensidade, as pessoas solicitam mais de seus organismos e necessitam de tempo e técnicas para se recuperar e poder fazer tudo novamente no outro dia.

“As modalidades tradicionais, como alongamento, terapias manuais, como os exercícios com rolo de espuma e massagem, além das banheiras de gelo, fazem parte do plano, especialmente em centros de treinamento de elite”, disse Jesse Elis, fisioterapeuta e diretor do departamento de fisioterapia da EXOS. Mas a tecnologia também pode ser encontrada no mundo da recuperação esportiva, geralmente proporcionando resultados positivos com mais eficiência.

A EXOS, um centro de treinamento de alto padrão com instalações em 10 estados dos Estados Unidos e a Intel como parceira, trabalha com atletas profissionais e amadores para extrair o melhor deles e mantê-los saudáveis. Naturalmente, seu departamento de fisioterapia desempenha um papel importante.

“Preenchemos a lacuna entre o exercício e a reabilitação, tentando melhorar o estado de recuperação de nossos atletas”, disse Ellis.

Botas NormaTec Pulse
As botas NormaTec Pulse comprimem os músculos sistematicamente.

Os especialistas da EXOS utilizam diversos tratamentos para ajudar o organismo a eliminar com mais eficiência os subprodutos do exercício — ácido lático e resíduos celulares. Essas terapias também liberam os efeitos de microtrauma nas fibras musculares com o objetivo de evitar que os músculos se contraiam e de manter a mobilidade, tudo isso visando à prevenção de lesões.

Massagem mecânica

Essa técnica focada na tecnologia é a terapia por compressão da NormaTec. As peças de vestir da empresa encaixam-se nas diversas partes do corpo e enchem-se de ar para comprimir sistematicamente os músculos – das extremidades para o centro.

“O aparelho imita uma contração muscular para bombear o sangue para os rins e o coração a fim de ser filtrado e novamente ser bombeado com oxigênio renovado”, explicou Ellis.

É como uma massagem altamente sistemática, que tem o objetivo de auxiliar na recuperação dos músculos e reduzir a dor muscular tardia (DMT), que geralmente ocorre 24 a 48 horas após o treino pesado.

Frio como gelo

Outra forma de tratamento que faz muito sucesso no mundo da recuperação é a crioterapia. Muito usada entre equipes universitárias e profissionais há vários anos, a crioterapia consiste em mergulhar um membro lesionado ou o corpo inteiro em câmaras cheias de ar super resfriado cuja temperatura pode chegar a -162ºC. Isso expõe o corpo do atleta a frio intenso por apenas alguns minutos.

“É como se fosse uma versão extrema da banheira de gelo”, explicou Ellis. “A ideia é provocar um choque no sistema circulatório e enviar o sangue de volta ao coração.”

Muito usada entre as equipes universitárias e profissionais há vários anos, a crioterapia consiste em mergulhar um membro lesionado ou o corpo inteiro em câmaras cheias de ar super resfriado cuja temperatura pode chegar a -162ºC
Muito comum entre atletas profissionais, a crioterapia consiste em mergulhar um membro lesionado ou o corpo inteiro em câmaras cheias de ar super-resfriado cuja temperatura pode chegar a -162ºC.

Mas, como as temperaturas são mais baixas e o tempo de exposição mais curto, os usuários geralmente consideram o método mais tolerável que a imersão típica por 8 a 12 minutos em banheira de gelo. E agora essa terapia está sendo disponibilizada para o público em geral. A empresa CryoUSA com sede em Dallas, por exemplo, vende unidades para academias de ginástica e oferece tratamentos nos seus Centros de Recuperação somente para sócios em Phoenix. Outra empresa, a Polar Therapeutics de Portland, Oregon, transporta suas unidades móveis para demonstração de crioterapia em trailers até academias de ginástica e eventos.

Mais novas ainda são as unidades de Cryosense, que funcionam na linha de banhos de contraste ou terapia de imersão quente/frio.

Em uma sessão de Cryosense, os usuários recebem ondas alternadas de ar frio e quente para estimular a vasoconstrição e a vasodilatação, capazes de melhorar o fluxo sanguíneo e intensificar a cura. Esse método também não é tão assustador ou fisicamente desconfortável como pode ser a crioterapia isoladamente.

Foco de laser

Também sob a forma de ondas, existe um tipo de terapia por luz chamada fotobiomodulação (PBM, na sigla em inglês). Parece uma cama de bronzeamento, mas emite raios de LED (não UV) infravermelhos e próximos a infravermelhos que penetram com segurança até o nível muscular. A ideia é reparar células danificadas reduzindo o ‘estresse oxidativo’ que é considerado o responsável pelas inflamações localizadas e sistemáticas no organismo.

Os tratamentos têm demonstrado reduzir a dor, acelerar a recuperação dos músculos e promover a cura. A NovoTHOR é hoje a única empresa que fabrica a cama de tratamento para corpo inteiro (outras unidades de PBM são usadas localmente, em partes específicas do corpo). Murdock, da CryoUSA, relata que o Projeto Nike da Oregon levou seu equipamento para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Dedos mágicos

O tratamento com massagem tradicional ganha uma força extra com a tecnologia da HIVAMAT que envia vibrações ultra rápidas através das mãos do terapeuta diretamente ao tecido muscular do paciente.  A fisioterapeuta prende um eletrodo ao seu antebraço enquanto o paciente segura um “terra” em uma das mãos para direcionar a corrente. Alega-se que esse tratamento facilita a reabsorção pelo organismo dos fluidos que causam o edema, particularmente em locais de lesões ou cirurgia.

“É muito legal”, disse Ellis. “É possível sentir a energia pulsando”.

NovoTHOR
NovoTHOR

Independentemente do papel da tecnologia, dedicar tempo e esforço a uma rotina de recuperação é de suma importância no programa de treinamento de qualquer pessoa. Dias de recuperação ativa que incluem treinamento cruzado (tais como treino na piscina ou ioga), sessões de respiração diafragmática voltadas para aliviar o sistema e horário regular para o sono, são fundamentais. Afinal das contas, a tecnologia não é capaz de aliviar a dor de atletas em um passe de mágica.

“Todos esses dispositivos são excelentes”, acrescentou Ellis, “mas se você não administrar seu estresse geral e não tiver um bom sono, não se recuperará totalmente.”

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