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Como os games podem te ajudar a organizar as finanças

Estratégias de gamificação já são usadas por empresas e pessoas para organizar as economias e ajudar a atingir metas

Administrar contas, planilhas e dívidas não são tarefas muito divertidas. Mas e se os games ajudarem um pouco? Jogos direcionados ao cuidado com as finanças são uma alternativa para quem quer aprender a lidar com o próprio dinheiro e se sente intimidado pelo assunto.

Muitos jogos populares, como as séries “The Sims”, “Starcraft” e “Civilization”, por exemplo, exigem uma capacidade do jogador de gerir recursos para que ele possa progredir no game. A economia é uma questão importante na maioria dos RPGs, simuladores e games de estratégia em geral, que desafiam o usuário a equilibrar sua habilidade no jogo com cálculos e projeções de pensamentos a longo prazo. Então por que é tão mais fácil se sentir motivado a organizar suas economias nesses games do que na vida real?

A resposta é a gamificação. Termo usado pela primeira vez em 2003 pelo consultor Nick Pelling, significa a adoção de mecânicas e dinâmicas de jogos para engajar pessoas na execução de tarefas, aprendizado ou até mesmo nas relações sociais. A gamificação é uma forma de gerar motivação para tarefas vistas como estressantes ou tediosas, trazendo referências lúdicas em ambientes externos aos jogos.

As empresas já descobriram o potencial da gamificação há alguns anos, e a projeção é de que esse mercado movimente US$ 2,8 bilhões em 2016. A maior parte das empresas que atuam com gamificação têm foco no aprendizado e no treinamento corporativo, mas é possível aplicar os princípios dos jogos nos mais diversos cenários, de tratamentos médicos a gestão pública. Na cidade de Manor, nos Estados Unidos, um game foi usado para incentivar os cidadãos a opinarem sobre a cidade. Cada sugestão rendia pontos que poderiam ser trocados em uma loja online por brindes, e até mesmo pelo direito de ser prefeito por um dia.

Os games financeiros costumam focar no aprendizado com situações de simulação, de forma não muito diferente dos games de estratégia em geral. Porém, o grande diferencial acontece quando em vez de administrar cenários fictícios, o jogador tem a oportunidade de aplicar a gamificação ao seu próprio cotidiano, com mecanismos de punição e recompensa a cada deslize ou economia feita.

O Habitica é um exemplo de game multiplataforma que atua dessa forma, transformando sua rotina diária em um RPG. Cada hábito positivo ou negativo é listado pelo usuário, que escolhe uma classe de personagem (como nos RPGs tradicionais) e deve cumprir suas tarefas diárias para derrotar monstros, realizar missões e conseguir itens e armas melhores. Se o gamer derrapar em algum mal hábito, como gastar demais ou negligenciar a organização das finanças, perde pontos de vida e pode “morrer” no jogo. A mecânica simples ajuda na hora de listar e organizar tarefas, já o alto grau de customização do game torna ele adaptável a qualquer jogador ou rotina. O jogo também conta com a possibilidade de formar equipes e com planos corporativos que possibilitam o acompanhamento do desempenho dos jogadores por seus gestores.

habitica

O sucesso de games como Habitica e similares sinaliza uma tendência que já começou a ser adotada por algumas instituições financeiras, a gamificação de transações bancárias. Com o aumento do número de clientes que fazem a maior parte de suas operações financeiras em seus celulares, é possível integrar funções de gamificação nos próprios aplicativos dos bancos, dando a possibilidade do cliente estabelecer metas e registrar seu progresso em cada transação.

A gamificação de aplicativos bancários ainda é tímida na América Latina, mas começa a dar resultados nos Estados Unidos, com iniciativas como o Money Up, plataforma de gamificação para previdência privada desenvolvida pela Sun Life Financial. O aplicativo transforma a trajetória de investimentos para a aposentadoria em um jogo, ajudando o usuário a lidar com o tema de forma didática e intuitiva.

Logo, é possível que em breve administrar as finanças via celular se torne mais parecido com jogar um bom RPG do que com operar uma calculadora. Até lá, jogar pode ensinar a administrar melhor suas dívidas e a conciliar prioridades financeiras.

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