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“Estamos no caminho certo”, diz Kami sobre eSports no Brasil

Um dos gamers mais longevos no cenário de League of Legends no Brasil, Kami fala sobre o momento dos eSports no Brasil e aposentadoria.

Gabriel ‘Kami’ Santos não podia nem dirigir quando começou profissionalmente nos eSports. O jogador de “League of Legends” tinha menos de 18 anos quando começou com a paiN Gaming, uma das equipes de esportes eletrônicos mais tradicionais do país, e que recentemente anunciou a manutenção de Kami no time.

Kami era um adolescente ainda tentando descobrir o que fazer da vida quando entrou na paiN, em 2011. Com 15 anos, estava longe da fama atual. Após seis anos, o gamer continua no mesmo time — fato raro para um jogador profissional. Ele explica o sucesso da sua parceria com o clube. “Não foi à toa. A pain é uma organização muito séria e que realmente cuida de seus jogadores. Por isso, nunca precisei sair. Sempre que faltava alguma coisa eu pedia para a organização e eles resolviam”, afirma.

O jogador conta que uma parceria tão longeva e com tanto sucesso é rara. “Não é todo jogador que tem essa sorte, as vezes o jogador tem problema sobre como o manager cuida da equipe. Sempre me senti muito dentro de casa e muito acolhido, por isso que a gente conseguiu chegar a esses seis anos de parceria”, completa.

Ao fazer uma rápida retrospectiva de seu tempo com a paiN, Kami diz que amadureceu muito e deve tudo ao “League of Legends”. “Fui do aluno que tinha vergonha de responder à pergunta da professora para alguém que tem que conversar com as pessoas, dar palestra e falar no palco. Tive que aprender muita coisa. Sair da zona de conforto é muito importante para crescer como pessoa”, conta. “Se eu não tivesse no ‘League of Legends’ provavelmente estaria dando aula de matemática”, brinca.

Kami passou por alguns problemas com a sua equipe recentemente. A paiN perdeu o CbLOL para a Team One e o time foi criticado. Tantas reclamações fizeram o gamer pensar em parar, como admitiu em stream feito em setembro de 2017. Na ocasião, disse: “é muito tenso você dedicar 15 horas por dia e só ler comentário negativo. A gente vive pelo jogo”.

Na BGS, fãs perguntaram se ele iria parar de jogar neste ano — e o gamer garantiu que não. Apesar de afirmar que não irá se aposentar e que vai estar no line-up da paiN para 2018, Kami tem noção de que a carreira como gamer profissional está no fim e já sabe o que quer fazer depois que parar. “Assim que parar vou direto para minha paixão por aviação, já que descobri que quero ser piloto de avião. Assim que tiver um tempinho já vou começar meus cursos”, conta.

Por fim, Kami falou sobre como os eSports podem crescer no Brasil. Afinal, apesar do cenário dos esporte eletrônicos ser grande por aqui, ainda é difícil competir com outros países como Coreia do Sul e Estados Unidos. “Estamos no caminho certo”, diz. “Falta treinar lá fora. É um pouco complicado arranjarmos o melhor jeito de fazer isso. Também precisamos crescer o profissionalismo — muita coisa precisa ser feita…Não sei se estamos prontos agora”, completa.

Kami na Brasil Game Show: duelo de gerações

Em outubro, Kami participou do Intel Challenge na Brasil Game Show, um desafio promovido pela Intel que colocou Kami frente à frente com Nick Ellis, gamer de uma geração mais antiga. Foram três duelos diferentes — e em todos Kami saiu vitorioso. Coube a Octavio Neto, do Esporte Interativo, narrar as competições, que foram feitas em três jogos diferentes. Os games foram “Quake 2”, “Overwatch” e, claro, “League of Legends”.

O primeiro deles foi no antigo “Quake 2”, game FPS lançado em 1997 — um ano depois que Kami nasceu. Toda a experiência de Nick Ellis não foi suficiente para superar um dos gamers mais vitoriosos do país: o “mid laner” da paiN venceu o duelo por incríveis 11 a -2. Isso mesmo, menos dois. Por duas vezes, Nick Ellis acabou se matando o jogo, tornando a sua pontuação negativa. O resultado não foi muito diferente em “Overwatch”, em que Kami eliminou Nick Ellis uma vez atrás da outra.

Em “League of Legends”, terreno conhecido para o gamer profissional, foi tudo ainda mais fácil: no modo ARAM (All Random All Mid), em que os jogadores só tem uma escolha de caminho para atacar o inimigo e o personagem é escolhido de maneira aleatória, Kami eliminou Ellis várias vezes até destruir a torre inimiga.

Ao final do desafio, Kami achou a situação de duelar com um gamer mais antigo “bacana e inusitada”. “O gamer antigo também é apaixonado pelos jogos novos”, diz. “A pessoa que é de uma geração que não conhece os games pode ter dificuldade de jogar. É um pouco diferente. Imagine a pessoa que está acostumada a jogar bola e tem que mexer em um mouse ou em um controle”, afirma. Para ele, o mais importante é lembrar que o jogo não liga para a idade da pessoa. “Se ela quer jogar e está procurando um jeito para se divertir, não interessa se ela tem 20 ou 40 anos de idade. Minha mãe mesmo já tem 50 e tantos e está começando a tentar a jogar ‘League of Legends’”, conta.

Ao final do desafio, Kami achou a situação de duelar com um gamer mais antigo “bacana e inusitada”. “O gamer antigo também é apaixonado pelos jogos novos”, diz. “A pessoa que é de uma geração que não conhece os games pode ter dificuldade de jogar. É um pouco diferente. Imagine a pessoa que está acostumada a jogar bola e tem que mexer em um mouse ou em um controle”, afirma. Para ele, o mais importante é lembrar que o jogo não liga para a idade da pessoa. “Se ela quer jogar e está procurando um jeito para se divertir, não interessa se ela tem 20 ou 40 anos de idade. Minha mãe mesmo já tem 50 e tantos e está começando a tentar a jogar ‘League of Legends’”, conta.

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