Games

“Gaymers” criam um ambiente acolhedor para todos

Carli Velocci Author, Kill Screen

Uma convenção de games para a comunidade LGBT convida todas as minorias do mundo dos games.

Não é uma novidade dizer que o mundo dos games têm um problema de inclusão. Desde os recentes episódios de bullying público e xingamentos on-line até o preconceito explícito contra mulheres em eventos de games, o setor está passando por uma reestruturação necessária.

Segundo Matt Conn, um dos fundadores da GaymerX, uma convenção de games voltada para a comunidade LGBT, o preconceito entre os gamers existe desde que ele começou a jogar.

Mas talvez a GaymerX possa mudar isso.

gaymers

Entrando em seu terceiro ano, a GaymerX será realizada em San Jose, Califórnia, nos dias 11 a 13 de dezembro de 2015. O escopo da conferência foi ampliado para incluir todas as pessoas que jogam games, ao invés de restringir seu foco apenas aos “gaymers”.

O tema e as discussões que giram em torno da diversidade e a ideia de espaços seguros fazem parte das motivações básicas de Conn, mas a mensagem se amplificou. O lema agora é “everyone games” (todos jogam).

A GaymerX é um exemplo de como mudar uma cultura de exclusividade por meio da inclusão. Mas uma mudança como esta não acontece facilmente; há muito tempo a conferência atrai a ira de pessoas que consideram que uma conferência de games voltada para a comunidade homossexual não tem sentido.

É essa mesma linha de raciocínio que leva as pessoas a acreditarem que se há eventos de orgulho gay, deveria haver também eventos de orgulho hétero, deveria haver as duas correntes apesar da disparidade entre as estruturas de poder da comunidade heterossexual e da comunidade LGBT.

Juntamente com outros opositores, a Igreja Batista de Westboro protestou contra o evento da GaymerX, dizendo que ele era prejudicial aos games.

“As pessoas consideraram a ideia ruim porque essa rixa não é produtiva para a comunidade,” disse Conn. “Achei que era meu dever ajudar a explicar por que eu não concordava,” – o que vem tentando fazer por meio da GaymerX.

Conn vem lidando com essas diferenças sua vida inteira e sempre sentiu que não se encaixava na comunidade de games nem na de gays. Ele cresceu na área rural de Vermont e dedicava seu tempo livre aos games, mas nunca sentiu realmente que os games que jogava fossem feitos para ele.

Ele sentia o mesmo quando observava manifestações sociais gays, nas quais algumas “panelinhas”, como disse, se formavam e excluíam inadvertidamente os gays nerds. Embora situadas em lados opostos de um espectro que pareciam nunca se cruzar, as comunidades eram incrivelmente parecidas.

“[Os gays] criaram esses ambientes muito específicos em que as pessoas tinham que se enquadrar e, caso não se encaixassem, em nome da segurança, eram rejeitadas,” disse Conn. “O mesmo acontece no mundo dos games. Se você não for um cara branco e hétero, tem grande possibilidade de ser excluído.”

Parte do raciocínio por trás da primeira edição da GaymerX era que pessoas como Conn pudessem sentir-se acolhidas e confortáveis. Mas, ao final de alguns anos, os fundadores perceberam que havia um cenário mais amplo, pessoas que se incluíam em outras categorias (ou que não se incluíam em categoria alguma) e que compareciam à convenção apesar do foco nos gamers LGBT.

gamers

Os funcionários perceberam que na primeira convenção, de 20% a 30% dos participantes não eram do sexo masculino. No segundo ano, o número havia crescido para pelo menos 50%. As palestras variavam desde discussões sobre a comunidade gay até reflexões sobre direitos das mulheres e minorias com relação a games. A ideia de criar um espaço seguro ultrapassou as expectativas de Conn e de outras pessoas.

À medida que o evento crescia, crescia também o número de pessoas ansiosas para falar sobre como lidar com gênero, preconceito cultural e contra orientação sexual nos games, disse Conn.

O slogan da GaymerX é “Everyone games”. Conn imagina que a conferência será pioneira na criação de espaços seguros para os gamers nerds que não se enquadram no perfil clássico homem, heterossexual, branco.

Conn disse que a equipe dá amplo treinamento aos voluntários, ensinando-os como ser sensíveis às questões de gênero e sexualidade. Eles implementam banheiros neutros em termos de gênero, têm opções de acrescentar pronomes aos seus crachás e têm vários painéis que procuram retratar diferentes perspectivas, desde como criar um podcast até se é sexy ter um personagem chamado Iron Bull no popular jogo de dramatização Dragon Age.

Quanto ao futuro da GaymerX, é uma questão de por quanto tempo as pessoas vão precisar dela.

“Daqui a cinquenta anos, ainda haverá pessoas homofóbicas e transfóbicas e que pensam que essas coisas são pecado e que não devem ser reconhecidas ou apreciadas,” comentou Conn. “Sempre existirão lugares onde as pessoas não se sentem super confortáveis.”

Graças a movimentos como a GaymerX, também existirão lugares onde as pessoas se sentirão à vontade.

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Os mundos retratados nos videogames são tão diversos e coloridos quanto o mundo real fora deles. 

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