Inovação Tecnológica

Intel busca padrões de segurança para carros autônomos

Em parceria com a Mobileye, Intel quer criar padrões para definir qual é o conceito de segurança para carros autônomos, um dos entraves da inovação.

A Intel já mostrou que está preparada para a revolução dos carros autônomos. Mais do que isso, a companhia contribui para que a tecnologia vire realidade o quanto antes, mas sem esquecer um fator que é tão importante quanto a inovação: a segurança. Bridget Karlin, diretora de estratégia de Internet das Coisas na Intel, afirmou que a empresa está focada em transformar a indústria automobilística nos próximos cinco anos. “A indústria inteira está entendendo e se comprometendo com a segurança primeiro”, explicou.

Essa falta de certeza é uma das principais dificuldades para que a tecnologia chegue logo ao mercado. Em janeiro de 2017, Jeremy Hsu escreveu um artigo na Scientific American mostrando que os carros autônomos ainda são “motoristas adolescentes” no quesito segurança. O artigo cita que uma das principais dificuldades é uma definição do que é seguro. Steven Shladover, pesquisador da Universidade da Califórnia, tem encorajado o governo dos Estados Unidos a criar sistemas que padronizam e regulam os carros autônomos.

Neste contexto, Intel e a Mobileye apresentaram uma fórmula para testar a segurança dos veículos autônomos. A solução foi publicada em um artigo acadêmico e apresentada no Fórum Mundial do Conhecimento, em Seul, na Coréia do Sul. O objetivo é garantir que um veículo autônomo funcione de maneira responsável e não cause acidentes pelos quais possa ser responsabilizado. Amnon Shahua, CEO da Mobileye, uma empresa de Intel e maior fornecedora mundial de câmaras para sistemas avançados ao condutor, desenvolveu uma fórmula matemática que pode trazer certezas para questões envolvendo responsabilidade em casos de acidente com carros autônomos.

Intel Corporation’s Automated Driving Group manages the Advanced Vehicle Lab in Chandler, Ariz. The lab, shown in February 2017, equips Intel-owned vehicles with Intel processors, Intel architecture-powered servers, sensors, cameras, GPS, Lidar, and radar. Sensor-laden cars from the lab drive nearby streets collecting information to create so-called deep learning models that will provide data for future vehicles that will drive themselves. (Credit: Tim Herman/Intel Corporation)

O modelo proposto é chamado de Segurança Sensível à Responsabilidade (Responsability Sensitive Safety, em inglês, ou simplesmente RSS). Ele fornece parâmetros específicos e mensuráveis para conceitos humanos como responsabilidade e advertência, além de definir um “Estado Seguro”, sob o qual o veículo autônomo não pode ser o responsável pelo acidente, não importando a ação tomada por outros automóveis.

Em sua palestra no Fórum Mundial do Conhecimento, Shashua fez uma convocação à indústria: “desenvolver de forma colaborativa padrões que atribuam definitivamente a responsabilidade por um acidente”, afirmou. A ideia é definir regras para apontar o responsável quando existir uma colisão inevitável entre carros autônomos e aqueles conduzidos por humanos.

“A capacidade de atribuir responsabilidade é fundamental. Assim como acontece com os melhores pilotos do mundo, os carros sem motoristas não poderão evitar acidentes provocados por ações alheias ao seu controle. No entanto, é muito pouco provável que o piloto mais responsável, mais consciente e mais cauteloso seja o causador de um acidente, particularmente, se tiver uma visão de 360 graus e reação na velocidade da luz, como será o caso dos veículos autônomos”, afirmou. O RSS formaliza essa atribuição de responsabilidade para garantir que os carros autônomos só irão transitar dentro de um estado definido como “seguro” pela indústria e pelos governos.

“Reguladores e formuladores de políticas em todo o mundo estão buscando uma forma de gerenciar a implantação da condução automatizada sem inibir a inovação, então ter um método comum de avaliar a eficácia da tecnologia parece ser um bom ponto de partida. O modelo Segurança Sensível à Responsabilidade proposto pela Mobileye parece ser viável para iniciar essa conversa. Pelo menos como método de avaliação, não restringe a tecnologias específicas e também proporciona uma boa estrutura para o processo de tomada de decisões dentro dos sistemas de controle”, comenta Sam Abuelsamid, analista sênior de pesquisa e colaborador do programa de transporte da Navigant Research.

Em 2016, a Intel anunciou um acordo com a BMW para trazer carros totalmente autônomos ao mercado em 2021. Para que o objetivo seja cumprido, a Intel precisa garantir a segurança desses veículos, e por isso já está fazendo a sua parte.

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