Esportes

Mergulhe nos eSports: gamers dão dicas para quem quer se tornar profissional

Caminho para se tornar profissional é árduo, mas compensa; veja o que gamers brasileiros dizem para quem pretende jogar de maneira competitiva

Se há 10 anos jovens não desgrudavam os olhos da TV acompanhando seus ídolos do futebol e sonhavam em se tornar profissionais, agora esporte mais popular do país ganhou uma concorrência de peso nos desejos juvenis: em 2017, o sonho de muitas crianças é virar gamer. A TV ainda é popular, é claro, mas ganhou a companhia de plataformas online como o YouTube e o Twitch, por onde usuários acompanham com fervor jogadores de “League of Legends”, “CS:Go”, “Dota 2” e outros games populares. Assim como no futebol, a trilha para a glória nos eSports também é tortuosa e exige muita dedicação.

Organização recente nos eSports, a Operation Kino participa dos principais campeonatos do país e já figura entre as equipes de destaque no cenário nacional. O time jogou o fase de grupos do CBLoL, mas acabou ficando na sexta colocação e foi rebaixada para o Circuito Desafiante, que funciona como uma segunda divisão do principal torneio do game no Brasil. Yan “Yampi” joga na posição jungler da equipe no lineup de League of Legends. Com apenas 19 anos, ele saiu do ensino médio em 2015 e logo embarcou no mercado profissional dos games. O jovem “não teve nem tempo de passar no vestibular”, como ele mesmo diz.

Yan é de Ourinhos, interior de São Paulo, e conta que não esperava iniciar na carreira tão cedo. “Comecei indo para um evento presencial em Campinas, participei de uma qualificatória e acabei passando”, afirma. O gamer explica que foi indicado para a peneira do time CNB e passou. Desde então, competiu e venceu um torneio na Argentina. “É uma experiência muito legal”, conta. Para ele, a transição do amador para o profissional aconteceu de maneira natural: “Desde pequeno eu jogava games e meus amigos sempre falaram que eu tinha talento”.

Emerson “BocaJúnioR” também faz parte da Operation Kino e atua como suporte em “League of Legends”. Assim como Yan, Emerson se destaca há algum tempo nos jogos. Ele conta que começou a jogar LoL em 2010, apenas um ano depois do título ser lançado. Competitivamente, joga há dois anos. “Sempre estava em um ranking alto no campeonato estadual. Ganhava a maioria”, diz. O gamer conta que nunca pensou em se tornar profissional, mas viu que “chegou uma hora que dava para jogar de maneira competitiva” e embarcou nessa.

Tanto Emerson quanto Yan usaram a mesma palavra para responder a pergunta sobre a diferença entre um jogador amador e um gamer profissional: mentalidade. Quem busca viver de eSports precisa entender que há uma mudança na mentalidade. Enquanto a maioria dos amadores buscam apenas vencer e não se importam tanto com a equipe, os profissionais jogam o tempo inteiro como um time. Além disso, o interessado em se profissionalizar precisa colocar na cabeça que precisará de muita dedicação e horas de treino.

Cinco dicas de ouro para quem quer se tornar profissional

1) Entenda a dimensão dos eSports

“League of Legends”, por exemplo, é jogado por mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo segundo a Riot, produtora do game. Compreender a grandiosidade dos eSports pode ser essencial para quem busca se tornar profissional — especialmente na hora de ter uma conversa com os pais sobre a carreira que você quer seguir.

“Quando eu mostrei a grandiosidade da CNB, que é uma organização muito grande, minha mãe ficou mais relaxada”, explica Yan. Atualmente, os pais dele não implicam com a profissão do filho. “Ficaram mais com o pé atrás quando fui para São Paulo”, brinca.

Emerson concorda e afirma que agora é mais fácil mostrar para os pais do que se trata. “Antes não tinha o que mostrar…Você tinha que se destacar”, afirma. Para os pais do gamer, o momento que entrou dinheiro foi quando a família ficou mais tranquila. “Eles começaram a ver que era sério”, conta. Portanto, reunir informações sobre campeonatos e premiações para os pais pode ser importante para quem quer conquistar o sonho de ser profissional.

2) Aprenda com os melhores

A sugestão de Yan é ficar de olho em vídeos de jogos de grandes times mundiais, como a coreana SK no caso de “League of Legends”. “Você pode aprender muito assistindo esses times, já que eles apresentam muito conteúdo para você evoluir”, diz o jungler. Chamados de VODs, esses vídeos de campeonatos estão disponíveis no YouTube. Há canais que se dedicam exclusivamente a mostrar os jogos, como o LoL VOD Library.

3) Treine e se dedique muito

Quer ser profissional? Procure se cobrar como um, mesmo sendo amador. A dica de Yan é “sempre alcançar um nível maior no ranking”. Ele diz que não ficava feliz com seu desempenho nos jogos. “Eu sempre corria atrás de como melhorar”, explica. A tal mudança de mentalidade é essencial para quem quer sair do amadorismo.

“O jogador profissional não perde o foco e quer fazer o jogo do jeito dele, sem ser caótico”, diz. “Eu era um jogador de solo kill [jogo ranqueado solo de LoL] e não sabia como era jogar em um time. Ganhava vantagem de uma forma estranha”, completa. Emerson reforça: “você precisa observar o jogo de uma maneira diferente. Pode demorar muito”, lembra.

Emerson também afirma que é necessário que o interessado em se profissionalizar entenda que a rotina de treinos e campeonatos é pesada. No geral, são oito horas diárias de trabalho como em qualquer profissão. Assim como em esportes, também há talento envolvido, mas o gamer diz que é possível ficar bom com a prática. “É claro que tem algo natural, mas não é impossível para um cara que não tem talento”, afirma ele.

4) Estar bem ranqueado é importante

Mesmo que a mentalidade do solo kill seja diferente, é importante estar bem ranqueado. Ao enfrentar equipes profissionais, vale atenção redobrada: destacar-se no game pode ser importante para chamar a atenção de equipes profissionais. “Eles estão sempre de olho”, lembra Yan.

5) Procure por times B, campeonatos de base e peneiras

Assim como no futebol e em outros esportes, há equipes B ou peneiras que ajudam a descobrir talentos em eSports. Yan indica a própria peneira que passou, da CNB. Para se inscrever na peneira da CNB, é preciso pagar uma taxa de R$25 e ter 13 anos completos até o final de 2017.

Dando espaço para pessoas de todo o Brasil, a peneira consiste em quatro fases: 100 questões de múltipla escolha envolvendo conhecimento do jogo e perfil pessoal, uma prova dissertativa, partidas com análise de desempenho e, por último, uma entrevista com psicólogo e comissão técnica. São 30 aprovados no final da peneira. O time também cria um plano de carreira que envolve a passagem por quatro times B antes das equipes profissionais. Hoje, a própria Operation Kino conta com um time B, que ajuda a fomentar as categorias de base. Chamada de OPKdemy, a equipe é formada só por jogadores novatos.

 

Compartilhe esse artigo

Tópicos relacionados

Esportes Games

Leia também

Read Full Story