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Muito mais do que joguinhos: o mercado de mobile games no Brasil

Tirar o smartphone do bolso naquele momento de tédio é rotina: seja na espera de um médico ou a caminho do trabalho no ônibus, é provável que você tenha algum joguinho baixado aí  que tem a capacidade de transformar aquela meia hora chata em uma aventura divertida e desafiadora. Os joguinhos, muitas vezes considerados simples, são fruto de horas de dedicação de uma grande equipe de desenvolvedores, designers e roteiristas. E eles têm conquistado um grande espaço no mercado: segundo uma pesquisa feita pela Universidade ESPM, os mobile games representam 77,9% dos gamers no Brasil.

Apesar de aquecido, o mercado dos desenvolvedores mobile no Brasil não está saturado. Pelo menos essa é a opinião de Fernando Chamis, diretor da Webcore, desenvolvedora de games para mobile, console e PC. “Não é um mercado que está tão cheio de empresas por aqui”, explica. “O mercado mundial de games está, sim, saturado. Por que você não vai lançar um jogo somente para o Brasil, você lança para o mundo todo”, afirma.

A WebCore surgiu há 18 anos e sempre atuou na área de inovação, desenvolvendo tecnologias para empresas. Há cerca de 10 anos começaram a desenvolver games proprietários e para clientes.

O modelo de negócio da desenvolvedora foi, inicialmente, focar em games para marcas — que podem ser mais rentáveis. Essa, aliás, é a recomendação de Chamis para quem está começando. “Empresas que estão começando podem conseguir serviços com marcas para fazer um caixa e depois investir em jogos próprios”, afirma.

Para compreender as dificuldades deste mercado por aqui, é necessário entender as diferenças entre fazer um game para celular e um para PlayStation 4, por exemplo. “Geralmente os jogos para console você paga uma vez e joga o quanto quiser”, explica. “Os jogos mobile costumam trazer o modelo Freemium, em que o gamer pode jogar o quanto quiser e pode comprar pequenas coisas”, diz.

Sabe quando você baixa um jogo para o celular e depois de duas semanas desiste de jogar? É aí que as empresas precisam inovar. “Um jogo mobile funciona mais como um serviço do que como um game. Vendê-lo é apenas 50% do caminho, você precisa ficar atualizando com conteúdo novo para manter a pessoa motivada”, diz.

Em relação às diferenças técnicas na criação, Chamis diz que elas existem, é claro, mas não são tantas. “As ferramentas são as mesmas”, diz Chamis, dizendo que na Webcore as plataformas usadas são o Unity e o Unreal. “No mobile o jogo precisa ser otimizado para ser leve e rodar em diferentes tipos de celular”, conclui. Na Webcore, são os mesmos profissionais que fazem os games para console, PC e mobile.

Mobile gaming olha cada vez mais para o universo eSport

Os joguinhos simples — como o viciante Flappy Bird ou o divertido Cut The Rope — vão continuar existindo para os momentos de tédio. Mas o mercado mobile está aquecido com outros tipos de games: um deles é o Clash of Clans, jogo de estratégia lançado em 2013 que conta com mais de 100 milhões de usuários ativos. Complexos, esses games prometem quebrar uma barreira em breve: a do eSport, podendo movimentar milhões de reais com campeonatos e jogadores profissionais.

 

Chamis acredita que isso é, sim, uma tendência. Do ponto de vista de quem desenvolve o game, pode valer muito mais a pena para um grande estúdio investir em um game mobile do que um para console, por exemplo. “No console você gasta cerca de US$ 60 para comprar um jogo lá fora. Você pode gastar muito mais do que isso com jogos mobile, se você ficar comprando pequenas coisas”, explica.

Na verdade, o Mobile eSport já é uma realidade. O site Mobile eSports, por exemplo, é focado especificamente nesse tipo de game. Um artigo recente na publicação conta que Clash of Clans, por exemplo, teve um torneio transmitido pelo YouTube com milhões de visualizações.

Além de Clash of Clans, outros exemplos de mobile eSports são o Clash Royale, um jogo de cartas, o Hearthstone: Heroes of Warcraft, o primeiro da Blizzard a ser lançado para computador e para plataformas móveis, além de Vainglory, game da Super Evil Megacorp que é exclusivo para iOS e Android.

 

 

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