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Overwatch surge como esperança dos eSports na América Latina

Um dos jogos mais recentes no cenário de eSports, Overwatch surge como esperança para que mercados menos tradicionais possam conquistar seu espaço.

A terceira colocação no grupo G da Copa de Mundo de Overwatch pode parecer pouco, mas para uma equipe brasileira só a participação na competição já mostra que o Brasil está no caminho certo na busca por êxito. Se em jogos como League of Legends fica difícil destronar coreanos e norte-americanos, em Overwatch, que ainda não tem um cenário competitivo tão maduro, as chances para países menos tradicionais nos eSports, como é o caso dos latinos, são maiores e melhores.

Filipe “PiBr” Cardili, CEO da equipe Brasil Gaming House, que representou o país no Mundial em agosto de 2017, afirma que o cenário amadureceu muito nos últimos meses. Ele admite, no entanto, que ainda é difícil competir com o resto do mundo. “A nível mundial ainda é muito embrionário, mas para nossa realidade começamos a ver grandes mudanças”, explica. “Depois do torneio Old Spice tivemos uma série de campeonatos, inclusive alguns organizados pelas comunidades e outras grandes empresas, como Razer e Logitech”, conta.

Overwatch é um game relativamente novo: foi lançado em maio de 2016 e, em pouco mais de um ano, conquistou mais de 20 milhões de jogadores, logo mostrando seu potencial competitivo. Em 2016, o Brasil também participou da Copa do Mundo, mas não conquistou nenhuma vitória. Em 2017, progresso: o time venceu a Nova Zelândia e perdeu para Estados Unidos e Taiwan. Sobre a competição, Filipe diz não ter sido o melhor resultado, mas afirma que o principal problema foi de adaptação. “A partir do terceiro dia de treino tive a oportunidade de ver os atletas da BGH identificarem os problemas que existiam e qual era a dinâmica dos gamers do exterior. E puderam se adaptar e bater de frente”, diz. Para ele, se a equipe tivesse ido algumas semanas antes para um bootcamp — como são chamados os treinos em outros países para aprender com jogadores de outras culturas — do Mundial, os resultados poderiam ter sido diferentes.

Agora, Filipe e a BGH comemoram a criação do Campeonato Brasileiro de Overwatch, organizado pela PromoArena, que também organiza o Circuito Desafiante de League of Legends. O torneio teve início no dia 17 de agosto e vai durar 14 rodadas, com a participação de 8 equipes. Além da BGH, Six e-Sports, Dogma E-Sports, Uprising, North Lions Black, Avonts E-Sports, WS E-Sports e Keep Gaming disputam o prêmio de R$ 10 mil, que será dividido entre os quatro melhores colocados, com o grande vencedor ganhando R$ 5 mil.

A criação desses torneios é um grande passo para o cenário de Overwatch no Brasil. Segundo Filipe, quando há um campeonato com longa duração, isso dá sequência às equipes. “Isso incentiva o cenário a se consolidar, diferente de um cenário com campeonatos pontuais como era antes — o que permite que tenham grandes alterações nas equipes”, conta. Para ele, há boas chances do Brasil ter êxito no competitivo de Overwatch mundialmente.

“Sem dúvidas. Porém, precisamos de um cenário mais solidificado e isso não é possível de se construir de uma hora para outra”, afirma. “Temos atletas de excelentíssima qualidade. Essa é a hora de irmos para lá [fora do país] e de nos mantermos fortes”, explica. Para ele, a BGH tem potencial para se tornar a próxima SK, que dominava o cenário brasileiro de CS:GO e que hoje tem jogadores que fazem sucesso mundialmente. A BGH venceu os últimos 17 torneios que participou, com derrotas em apenas três mapas.

A expectativa de Filipe é que a Blizzard, desenvolvedora do game, continue alimentando o jogo com novos conteúdos, além de permitir que campeonatos sejam organizados com a licença do jogo. Recentemente, no final de julho, a empresa anunciou um novo personagem jogável — Doomfist — ele é o 25º personagem do game, sendo o 4º a ser desbloqueado depois do lançamento oficial do game. “Overwatch tem tudo para dar certo. Os esforços da Blizzard para a plataforma tem sido gigantescos”, afirma o CEO. ‘Eu não vejo dando errado”, completa.

A própria iniciativa de Filipe em montar um line-up de Overwatch é reflexo da esperança de que o game se torne uma oportunidade para o Brasil. “A organização já começou com um time muito forte. Começar com o pé direito é muito importante”, diz. Apesar do time bem-sucedido, ele diz que o principal objetivo da organização não é o êxito da equipe em Overwatch — e sim a profissionalização dos eSports. “Temos alguns projetos em andamento para dar ferramentas e recursos para novas organizações. A ideia é dar assistência e gerenciamento a times que ainda não estão maduros. As pessoas pensam que ter ou gerenciar um time são coisas simples, mas não é”, completa.

México: ainda batalhando por espaço na mídia

O cenário dos eSports (e do Overwatch) também é promissor no México, mas eles estão alguns passos atrás do Brasil quando o assunto é exposição. Quem explica mais é Ophelia Pastrana, uma das principais especialistas em games e tecnologia do país. Ophelia é jogadora assídua de Overwatch e conta que, por lá, League of Legends ainda domina, mas o jogo da Blizzard tem mostrado potencial. “Overwatch tem um grande senso de comunidade. Ele foca em times e tem personagens sólidos”, explica. Assim como Filipe, Ophelia também valoriza o trabalho que a Blizzard tem feito no game. “O Overwatch que você pode comprar hoje é muito diferente do que existia há seis meses”, conta.

 Ela acredita que Overwatch tem todos os componentes de um game competitivo. “É divertido de jogar e de ver. Você pode se conectar com outros jogadores e ele te ensina várias lições que não aprendemos com outros jogos. Se você pensar em FPS (first person shooter), normalmente pensamos que estamos atirando em um cara aleatório do exército. Em Overwatch você sente o personagem, tem toda a história”, diz. “Isso aumenta a competição”, completa.

Ophelia tem encontrado dificuldades para montar uma equipe de eSports, porém. A ideia dela é criar uma equipe somente com mulheres trans. O time, chamado de BLINK, encontrou cinco pessoas dispostas a participar, mas ainda busca mais um. “Tem sido tão difícil. Nós jogamos muito e o que falta para fechar o time é uma cultura de inclusão. Temos cinco pessoas e Overwatch precisa de seus”, explica.

 O México, assim como o Brasil, é um país grande. Segundo Ophelia, quando uma nova rede social, aplicativo ou jogo começa a bombar por lá, todos embarcam na moda. Overwatch tem um número considerável de jogadores no México, mas League of Legends ainda domina. “O México tem um grande mercado para Lol”, diz. “Ainda assim, as grandes empresas estão totalmente focadas em consoles. Falam pouco de eSports — não há uma cultura”, diz.

Para ela, tudo pode ser explicado pela falta de exposição. O que falta para os eSports despontarem como um todo no México é um problema que existe menos no Brasil: a mídia. Enquanto por aqui temos emissoras como ESPN e Esporte Interativo investindo de maneira impactante nas transmissões de competições, os eSports no México ainda não tem essa visibilidade. “Ainda temos a discussão de se eSports são esportes”, comenta Ophelia. Discussão que, por mais que ainda exista no Brasil, tem sido, aos poucos, esquecida ou deixada de lado.

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