Experiências Incríveis

Próteses acessíveis para as massas

Deb Miller Landau iQ Managing Editor
Daniel Hobbs

Daniel Hobbs pratica judô, joga futebol e basquete, anda de bicicleta e sabe nadar. Ele mora na Espanha, fala inglês e espanhol com fluência, e está aprendendo português. O garoto ativo de onze anos de idade tem um sorriso que deixa qualquer ambiente mais feliz.

Os amigos de Daniel o chamam de “Homem de Ferro” porque ele usa uma prótese no braço esquerdo. Embora tenha nascido sem uma das mãos, Daniel veio ao mundo no início da revolução das impressões em 3D, na qual a tecnologia cria novas maneiras de enfrentar os desafios da vida.

“O Daniel é guerreiro”, conta Abby, a mãe do garoto. “Ele nunca desiste de nada. A determinação dele é absoluta”.

No 5o mês de gestação, os pais de Daniel receberam a notícia aterradora de que o filho tinha uma malformação congênita no braço esquerdo. É óbvio que eles ficaram aliviados por saber que o filho seria saudável em todos os outros aspectos, mas ficou claro que o bebê enfrentaria alguns desafios no futuro.

Desde os sete anos de idade, Daniel usa uma prótese que o ajuda a fazer muitas coisas. Ela abre e fecha (como uma garra), mas suas habilidades são limitadas. As próteses médicas mais pesadas são caras porque precisam ser ajustadas de forma contínua para encaixar no corpo do garoto, que está em crescimento.

No ano passado, a Intel criou uma parceria com a 3D Systems, uma empresa especializada em impressões 3D em grande escala, para construir uma prótese mais leve com um custo-benefício melhor.

“Expandir os limites desse tipo de tecnologia foi uma inspiração para mim”, conta Evan Kuester, um engenheiro de aplicações da 3D Systems. Ao começar a trabalhar com Daniel, a primeira coisa que Evan fez foi escanear as duas mãos do garoto para garantir a exatidão da escala e do encaixe.

Algumas tentativas foram necessárias para chegar à configuração perfeita, mas Kuester finalmente conseguiu criar uma prótese impressa em 3D que podia sair da impressora em uma única peça por uma fração do preço.

Kuester conta que imprimiu a mão usando uma impressora de Sinterização Seletiva a Laser (SLS, na sigla em inglês) composta por processadores Intel Core muito robustos. É por meio de um laser que aplica-se um pó de náilon várias vezes à intersecção da mão até que ela seja fundida com uma peça de plástico rígido.

“Leva cerca de oito horas para imprimir a mão”, conta Kuester, comentando que essa prótese tecnológica custa em torno de quatrocentos dólares.

Hobbs

Apesar de ser do Reino Unido, a família Hobbs mora na Espanha. Lá, os pais de Daniel são professores e gostam de dar à Daniel e sua irmã de 13 anos, Bethany, a oportunidade de aprender uma língua e uma cultura diferentes. Foi bem difícil comprar a prótese de Daniel. Para cobrir o custo inicial de 18.000 dólares, Alistair, o pai do garoto, correu uma meia maratona para lançar uma campanha de arrecadação chamada Give Daniel a Hand (“Dê uma mãozinha ao Daniel”).

Mas os custos continuavam se multiplicando. Sempre que era necessário ajustar a mão para que ela encaixasse corretamente no corpo de Daniel, que estava em crescimento, ou quando era preciso recalibrá-la ou fixá-la por qualquer motivo, isso custava alguns milhares de dólares e demandava que a prótese fosse enviada aos fabricantes, o que deixava Daniel sem ela durante o processo de ajuste.

“Conhecemos muitas famílias que não têm dinheiro para isso”, diz Abby. “Por isso, ficamos muito interessados em descobrir quais eram as nossas outras opções. Sabemos que esse é o futuro das próteses. Estamos ansiosos para ver o que existirá daqui um tempo”.

De acordo com Kuester, a maioria dos usuários dessas próteses continua usando a outra mão para grande parte das atividades porque a prótese não dá conta de habilidades motoras mais complexas. Kuester conta que as versões impressas em 3D podem ter um formato personalizado. Sendo assim, em teoria, seria possível imprimir uma prótese de mão para diversas finalidades – por exemplo: segurar um martelo, uma palheta de guitarra ou o arco de um violino – e trocá-la sempre que necessário.

Para Daniel, a prótese mais leve, que pesa menos de um quilo, chama muito a atenção no melhor sentido possível: ter uma das mãos ao estilo do Homem de Ferro faz o maior sucesso entre os colegas de classe.

Conforme Daniel vai ficando cada vez mais confiante, a família inteira percebe essa mudança. Kuester conta que a experiência de criar a mão de Daniel foi uma lição de vida.

“Fico muito feliz por saber que algumas das minhas criações têm um impacto tão positivo na vida de outras pessoas”.

Nota editorial: Nesta série da Experience Amazing, a iQ explora como a tecnologia dos componentes internos possibilita experiências incríveis mundo afora. Vamos analisar como esses recursos computacionais são a base de novas experiências e descobertas nos mundos da ciência, manufatura, moda, esportes e entretenimento. Para saber mais sobre a tecnologia existente por trás dessas histórias, acesse o site Experience Amazing.

 

 

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